É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.
Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.
Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.
E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito.
Aforismos, Poesias, Textos literários e cientificos, Frases de Personalidades, Textos Proprios e muito mais!
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Aquecimento Global
O Aquecimento global é um fenômeno climático de larga extensão—um aumento da temperatura média superficial global que vem acontecendo nos últimos 150 anos. Entretanto, o significado deste aumento de temperatura ainda é objecto de muitos debates entre os cientistas. Causas naturais ou antropogênicas (provocadas pelo homem) têm sido propostas para explicar o fenômeno.
Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes antropogênicos na Atmosfera é causa do efeito estufa. A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC).
Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.
Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.(Fonte: IPCC).
Causas:
Mudanças climáticas ocorrem devido a factores internos e externos. Factores internos são aqueles associados à complexidade derivada do facto dos sistemas climáticos serem sistemas caóticos não lineares. Fatores externos podem ser naturais ou antropogênicos.
O principal factor externo natural é a variabilidade da radiação solar, que depende dos ciclos solares e do facto de que a temperatura interna do sol vem aumentando. Fatores antropogênicos são aqueles da influência humana levando ao efeito estufa, o principal dos quais é a emissão de sulfatos que sobem até a estratosfera causando depleção da camada de ozônio (fonte:IPCC)
Cientistas concordam que factores internos e externos naturais podem ocasionar mudanças climáticas significativas. No último milénio dois importantes períodos de variação de temperatura ocorreram: um Período quente conhecido como Período Medieval Quente e um frio conhecido como Pequena Idade do Gelo. A variação de temperatura desses períodos tem magnitude similar ao do atual aquecimento e acredita-se terem sido causados por fatores internos e externos somente. A Pequena Idade do Gelo é atribuída à redução da atividade solar e alguns cientistas concordam que o aquecimento terrestre observado desde 1860 é uma reversão natural da Pequena Idade do Gelo ( Fonte: The Skeptical Environmentalist).
Entretanto grandes quantidades de gases tem sido emitidos para a Atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36% (Fonte IPCC).
A maior parte destes gases são produzidos pela queima de combustíveis fósseis. Os cientistas pensam que a redução das áreas de florestas tropicais tem contribuído, assim como as florestas antigas, para o aumento do carbono. No entanto florestas novas nos Estados Unidos e na Rússia contribuem para absorver dióxido de carbono e desde 1990 a quantidade de carbono absorvido é maior que a quantidade liberada no desflorestamento. Nem todo dióxido de carbono emitido para a Atmosfera se acumula nela, metade é absorvido pelos mares e florestas.
A real importância de cada causa proposta pode somente ser estabelecida pela quantificação exacta de cada factor envolvido. Factores internos e externos podem ser quantificados pela análise de simulações baseadas nos melhores modelos climáticos.
A influência de fatores externos pode ser comparada usando conceitos de força radiotiva. Uma força radiotiva positiva esquenta o planeta e uma negativa o esfria. Emissões antropogênicas de gases, depleção do ozônio estratosférico e radiação solar tem força radioativa positiva e aerosóis tem o seu uso como força radiotiva negativa.(fonte IPCC).
Modelos climáticos:
Simulações climáticas mostram que o aquecimento ocorrido de 1910 até 1945 podem ser explicado somente por forças internas e naturais (variação da radiação solar) mas o aquecimento ocorrido de 1976 a 2000 necessita da emissão de gases antropogênicos causadores do efeito estufa para ser explicado. A maioria da comunidade científica está actualmente convencida de que uma proporção significativa do aquecimento global observado é causado pela emissão de gases causadores do efeito estufa emitidos pela actividade humana. (Fonte IPC)
Esta conclusão depende da exactidão dos modelos usados e da estimativa correcta dos factores externos. A maioria dos cientistas concorda que importantes características climáticas estejam sendo incorrectamente incorporadas nos modelos climáticos, mas eles também pensam que modelos melhores não mudariam a conclusão. (Source: IPCC)
Os críticos dizem que há falhas nos modelos e que factores externos não levados em consideração poderiam alterar as conclusões acima. Os críticos dizem que simulações climáticas são incapazes de modelar os efeitos resfriadores das partículas, ajustar a retroalimentação do vapor de água e levar em conta o papel das nuvens. Críticos também mostram que o Sol pode ter uma maior cota de responsabilidade no aquecimento global actualmente observado do que o aceite pela maioria da comunidade científica. Alguns efeitos solares indirectos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos. Assim, a parte do aquecimento global causado pela acção humana poderia ser menor do que se pensa actualmente. (Fonte: The Skeptical Environmentalist)
Efeitos
Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação. Algumas importantes mudanças ambientais tem sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das consequências do aquecimento global que podem influenciar não somente as actividades humanas mas também os ecosistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecosistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.
Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecosistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessáriamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécie que esteja florescendo.
Uma outra causa grande preocupação é o aumento do nível do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década e em alguns países insulares no Oceano Pacífico são expressivamente preocupantes, porque cedo eles estarão debaixo de água. O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos, mas alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam. Em consequência haverá aumento do nível, em muitos metros. No momento, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos. (Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).
Como o clima fica mais quente, a evaporação aumenta. Isto provoca pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima como progressivo aquecimento global.
O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte,por exemplo, provocada por diferenças entre a temperatura entre os mares. Aparentemente ela está diminuindo conforme as médias da temperatura global aumentam, isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente devem apresentar climas mais frios a despeito do aumento do calor global.
Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC)
Como este é um tema de grande importância, os govenos precisam de previsões de tendências futuras das mudanças globais de forma que possam tomar decisões políticas que evitem impactos indesejáveis. O aquecimento global está sendo estudado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). O último relatório do IPCC faz algumas previsões a respeito das mudanças climáticas. Tais previsões são a base para os actuais debates políticos e científicos.
As previsões do IPCC baseiam-se nos mesmos modelos utilizados para estabelecer a importância de diferentes factores no aquecimento global. Tais modelos alimentam-se dos dados sobre emissões antropogênicas dos gases causadores de efeito estufa e de aerosóis, gerados a partir de 35 cenários distintos, que variam entre pessimistas e optimistas. As previsões do aquecimento global dependem do tipo de cenário levado em consideração, nenhum dos quais leva em consideração qualquer medida para evitar o aquecimento global.
O último relatório do IPCC projecta um aumento médio de temperatura superficial do planeta entre 1,4 e 5,8º C entre 1990 a 2100. O nível do mar deve subir de 0,1 a 0,9 metros nesse mesmo Período.
Apesar das previsões do IPCC serem consideradas as melhores disponíveis, elas são o centro de uma grande controvérsia científica. O IPCC admite a necessidade do desenvolvimento de melhores modelos analíticos e compreensão científica dos fenômenos climáticos, assim como a existência de incertezas no campo. Críticos apontam para o facto de que os dados disponíveis não são suficientes para determinar a importância real dos gases causadores do efeito estufa nas mudanças climáticas. A sensibilidade do clima aos gases estufa estaria sendo sobrestimada enquanto fatores externos subestimados.
Por outro lado, o IPCC não atribui qualquer probabilidade aos cenários em que suas previsões são baseadas. Segundo os críticos isso leva a distorções dos resultados finais, pois os cenários que predizem maiores impactos seriam menos passíveis de concretização por contradizerem as bases do racionalismo económico.
Convenção-Quadro Sobre Mudanças Climáticas e o Protocolo de Kioto:
Mesmo havendo dúvidas sobre sua importância e causas, o aquecimento global é percebido pelo grande público e por diversos líderes políticos como uma ameaça potencial. Por se tratar de um cenário semelhante ao da tragédia dos comuns, apenas acordos internacionais seriam capazes de propôr uma política de redução nas emissões de gases estufa que, de outra forma, os países evitariam implementar de forma unilateral. Do Protocolo de Kioto a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foram ratificadas por todos os países industrializados que concordaram em reduzir suas emissões abaixo do nível registrado em 1990. Ficou acertado que os países em desenvolvimento ficariam isentos do acordo. Contudo, President Bush, presidente dos os Estados Unidos — país responsável por cerca de um terço das emissões mundiais, decidiu manter o seu país fora do acordo. Essa decisão provocou uma acalorada controvérsia ao redor do mundo, com profundas ramificações políticas e ideológicas.
Para avaliar a eficácia do Protocolo de Kioto, é necessário comparar o aquecimento global com e sem o acordo. Diversos autores independentes concordam que o impacto do protocolo no fenômeno é pequeno (uma redução de 0,15 num aquecimento de 2ºC em 2100). Mesmo alguns defensores de Kioto concordam que seu impacto é reduzido, mas o vêem como um primeiro passo com mais significado político que prático, para futuras reduções. No momento, é necessária uma analise feita pelo IPCC para resolver essa questão.
O Protocolo de Kioto também pode ser avaliado comparando-se ganhos e custos. Diferentes análises econômicas mostram que o Protocolo de Kioto pode ser mais dispendioso do que o aquecimento global que procura evitar. Contudo, os defensores da proposta argumentam que enquanto os cortes iniciais dos gases estufa têm pouco impacto, eles criam um precedente para cortes maiores no futuro.
Fonte: www.jornaldomeioambiente.com.br
Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes antropogênicos na Atmosfera é causa do efeito estufa. A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC).
Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.
Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.(Fonte: IPCC).
Causas:
Mudanças climáticas ocorrem devido a factores internos e externos. Factores internos são aqueles associados à complexidade derivada do facto dos sistemas climáticos serem sistemas caóticos não lineares. Fatores externos podem ser naturais ou antropogênicos.
O principal factor externo natural é a variabilidade da radiação solar, que depende dos ciclos solares e do facto de que a temperatura interna do sol vem aumentando. Fatores antropogênicos são aqueles da influência humana levando ao efeito estufa, o principal dos quais é a emissão de sulfatos que sobem até a estratosfera causando depleção da camada de ozônio (fonte:IPCC)
Cientistas concordam que factores internos e externos naturais podem ocasionar mudanças climáticas significativas. No último milénio dois importantes períodos de variação de temperatura ocorreram: um Período quente conhecido como Período Medieval Quente e um frio conhecido como Pequena Idade do Gelo. A variação de temperatura desses períodos tem magnitude similar ao do atual aquecimento e acredita-se terem sido causados por fatores internos e externos somente. A Pequena Idade do Gelo é atribuída à redução da atividade solar e alguns cientistas concordam que o aquecimento terrestre observado desde 1860 é uma reversão natural da Pequena Idade do Gelo ( Fonte: The Skeptical Environmentalist).
Entretanto grandes quantidades de gases tem sido emitidos para a Atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36% (Fonte IPCC).
A maior parte destes gases são produzidos pela queima de combustíveis fósseis. Os cientistas pensam que a redução das áreas de florestas tropicais tem contribuído, assim como as florestas antigas, para o aumento do carbono. No entanto florestas novas nos Estados Unidos e na Rússia contribuem para absorver dióxido de carbono e desde 1990 a quantidade de carbono absorvido é maior que a quantidade liberada no desflorestamento. Nem todo dióxido de carbono emitido para a Atmosfera se acumula nela, metade é absorvido pelos mares e florestas.
A real importância de cada causa proposta pode somente ser estabelecida pela quantificação exacta de cada factor envolvido. Factores internos e externos podem ser quantificados pela análise de simulações baseadas nos melhores modelos climáticos.
A influência de fatores externos pode ser comparada usando conceitos de força radiotiva. Uma força radiotiva positiva esquenta o planeta e uma negativa o esfria. Emissões antropogênicas de gases, depleção do ozônio estratosférico e radiação solar tem força radioativa positiva e aerosóis tem o seu uso como força radiotiva negativa.(fonte IPCC).
Modelos climáticos:
Simulações climáticas mostram que o aquecimento ocorrido de 1910 até 1945 podem ser explicado somente por forças internas e naturais (variação da radiação solar) mas o aquecimento ocorrido de 1976 a 2000 necessita da emissão de gases antropogênicos causadores do efeito estufa para ser explicado. A maioria da comunidade científica está actualmente convencida de que uma proporção significativa do aquecimento global observado é causado pela emissão de gases causadores do efeito estufa emitidos pela actividade humana. (Fonte IPC)
Esta conclusão depende da exactidão dos modelos usados e da estimativa correcta dos factores externos. A maioria dos cientistas concorda que importantes características climáticas estejam sendo incorrectamente incorporadas nos modelos climáticos, mas eles também pensam que modelos melhores não mudariam a conclusão. (Source: IPCC)
Os críticos dizem que há falhas nos modelos e que factores externos não levados em consideração poderiam alterar as conclusões acima. Os críticos dizem que simulações climáticas são incapazes de modelar os efeitos resfriadores das partículas, ajustar a retroalimentação do vapor de água e levar em conta o papel das nuvens. Críticos também mostram que o Sol pode ter uma maior cota de responsabilidade no aquecimento global actualmente observado do que o aceite pela maioria da comunidade científica. Alguns efeitos solares indirectos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos. Assim, a parte do aquecimento global causado pela acção humana poderia ser menor do que se pensa actualmente. (Fonte: The Skeptical Environmentalist)
Efeitos
Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação. Algumas importantes mudanças ambientais tem sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das consequências do aquecimento global que podem influenciar não somente as actividades humanas mas também os ecosistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecosistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.
Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecosistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessáriamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécie que esteja florescendo.
Uma outra causa grande preocupação é o aumento do nível do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década e em alguns países insulares no Oceano Pacífico são expressivamente preocupantes, porque cedo eles estarão debaixo de água. O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos, mas alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam. Em consequência haverá aumento do nível, em muitos metros. No momento, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos. (Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).
Como o clima fica mais quente, a evaporação aumenta. Isto provoca pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima como progressivo aquecimento global.
O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte,por exemplo, provocada por diferenças entre a temperatura entre os mares. Aparentemente ela está diminuindo conforme as médias da temperatura global aumentam, isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente devem apresentar climas mais frios a despeito do aumento do calor global.
Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC)
Como este é um tema de grande importância, os govenos precisam de previsões de tendências futuras das mudanças globais de forma que possam tomar decisões políticas que evitem impactos indesejáveis. O aquecimento global está sendo estudado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). O último relatório do IPCC faz algumas previsões a respeito das mudanças climáticas. Tais previsões são a base para os actuais debates políticos e científicos.
As previsões do IPCC baseiam-se nos mesmos modelos utilizados para estabelecer a importância de diferentes factores no aquecimento global. Tais modelos alimentam-se dos dados sobre emissões antropogênicas dos gases causadores de efeito estufa e de aerosóis, gerados a partir de 35 cenários distintos, que variam entre pessimistas e optimistas. As previsões do aquecimento global dependem do tipo de cenário levado em consideração, nenhum dos quais leva em consideração qualquer medida para evitar o aquecimento global.
O último relatório do IPCC projecta um aumento médio de temperatura superficial do planeta entre 1,4 e 5,8º C entre 1990 a 2100. O nível do mar deve subir de 0,1 a 0,9 metros nesse mesmo Período.
Apesar das previsões do IPCC serem consideradas as melhores disponíveis, elas são o centro de uma grande controvérsia científica. O IPCC admite a necessidade do desenvolvimento de melhores modelos analíticos e compreensão científica dos fenômenos climáticos, assim como a existência de incertezas no campo. Críticos apontam para o facto de que os dados disponíveis não são suficientes para determinar a importância real dos gases causadores do efeito estufa nas mudanças climáticas. A sensibilidade do clima aos gases estufa estaria sendo sobrestimada enquanto fatores externos subestimados.
Por outro lado, o IPCC não atribui qualquer probabilidade aos cenários em que suas previsões são baseadas. Segundo os críticos isso leva a distorções dos resultados finais, pois os cenários que predizem maiores impactos seriam menos passíveis de concretização por contradizerem as bases do racionalismo económico.
Convenção-Quadro Sobre Mudanças Climáticas e o Protocolo de Kioto:
Mesmo havendo dúvidas sobre sua importância e causas, o aquecimento global é percebido pelo grande público e por diversos líderes políticos como uma ameaça potencial. Por se tratar de um cenário semelhante ao da tragédia dos comuns, apenas acordos internacionais seriam capazes de propôr uma política de redução nas emissões de gases estufa que, de outra forma, os países evitariam implementar de forma unilateral. Do Protocolo de Kioto a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foram ratificadas por todos os países industrializados que concordaram em reduzir suas emissões abaixo do nível registrado em 1990. Ficou acertado que os países em desenvolvimento ficariam isentos do acordo. Contudo, President Bush, presidente dos os Estados Unidos — país responsável por cerca de um terço das emissões mundiais, decidiu manter o seu país fora do acordo. Essa decisão provocou uma acalorada controvérsia ao redor do mundo, com profundas ramificações políticas e ideológicas.
Para avaliar a eficácia do Protocolo de Kioto, é necessário comparar o aquecimento global com e sem o acordo. Diversos autores independentes concordam que o impacto do protocolo no fenômeno é pequeno (uma redução de 0,15 num aquecimento de 2ºC em 2100). Mesmo alguns defensores de Kioto concordam que seu impacto é reduzido, mas o vêem como um primeiro passo com mais significado político que prático, para futuras reduções. No momento, é necessária uma analise feita pelo IPCC para resolver essa questão.
O Protocolo de Kioto também pode ser avaliado comparando-se ganhos e custos. Diferentes análises econômicas mostram que o Protocolo de Kioto pode ser mais dispendioso do que o aquecimento global que procura evitar. Contudo, os defensores da proposta argumentam que enquanto os cortes iniciais dos gases estufa têm pouco impacto, eles criam um precedente para cortes maiores no futuro.
Fonte: www.jornaldomeioambiente.com.br
Caridade Moral
A caridade moral consiste em se suportarem umas as outras criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando que fale outro mais tolo que ele. É um gênero de caridade isso.
Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdem com que vos recebem pessoas que muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espirita, a única real, estão não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.
Irmã Rósalia (Paris, 1860)
O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec // Editora FEB.
Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdem com que vos recebem pessoas que muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espirita, a única real, estão não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.
Irmã Rósalia (Paris, 1860)
O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec // Editora FEB.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Entramos na era pós-racial
A vitória de Obama é a concretização do sonho. Mas ela não aposenta a discussão sobre a questão racial
"E ENTÃO, EU cheguei a Memphis. E alguns começaram a dizer que havia ameaças. O que alguns irmãos brancos doentes poderiam fazer comigo? Bem, eu não sei o que vai acontecer agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas não me importo mais. Porque eu estive no topo da montanha. E eu olhei lá de cima. E eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar até ela com vocês. Mas eu quero que vocês saibam que nós chegaremos à Terra Prometida."
Martin Luther King Jr. proferiu essas palavras em discurso, em Memphis, no Tennessee, no dia 3 de abril de 1968. Menos de 24 horas mais tarde, ele seria assassinado por um "irmão branco doente".
Passados 40 anos, o homem mais respeitado do mundo é o negro Nelson Mandela e o presidente eleito dos Estados Unidos, um negro de nome esquisito (ao menos para os padrões norte-americanos), Barack Hussein Obama.
Nas ruas do Rio, os camelôs já oferecem camisetas com a imagem do novo líder. Nos cartórios da África, da Índia e da Indonésia escrivães já se acostumam a inscrever o nome do presidente eleito em certidões de nascimento. E, na Inglaterra, a comemoração foi dupla por conta da vitória do negro Lewis Hamilton na F-1, esporte dominado por brancos.
O negão está na moda, o negão está no topo do mundo! Em uma América que vem sendo definida como pós-racial, até quem sempre odiou os negros agora minimiza o fator raça. Questionado sobre a cor da pele de Obama, David Duke, o infame ex-membro do Ku Klux Klan, afirmou: "Não vejo muita diferença entre Hillary, McCain e Obama".
A Terra Prometida imaginada por Martin Luther King Jr. está ao alcance da mão. O pastor, ativista e Prêmio Nobel da Paz dizia que as divisões de raça nos EUA só seriam transcendidas no dia em que um negro fosse eleito presidente. Com a vitória do democrata, o negro passou de coadjuvante a protagonista principal do sonho americano.
Barack Obama foi um candidato "daltônico" e conciliador que fez questão de não enxergar a cor do eleitorado. Mas, não fosse a crise econômica, a campanha "ecumênica" de Obama teria sido vitoriosa? Que papel sua negritude terá jogado na eleição? Apoiadora de Hillary e candidata a vice na eleição de 1984, a democrata Geraldine Ferraro fez uma afirmação recalcada sobre o assunto durante as prévias. Disse que, "se Obama fosse um homem branco, ele não estaria nesta posição. E se fosse mulher (de qualquer cor) também não estaria nesta posição". Seja como for, já estava mais do que na hora de os EUA tomarem vergonha na cara sobre a questão racial, que para eles conta com o requinte extra de dividir caucasianos entre "brancos" e "latinos".
A trajetória de Barack Obama rumo à Casa Branca é a concretização de mais uma etapa do sonho de Martin Luther King Jr. Mas daí a achar que ela aposenta a discussão racial nos EUA vai uma légua e meia.
É "wishful thinking", excesso de otimismo, falar em era pós-racial quando a obscena maioria da população carcerária nos EUA é composta por negros. E quando as atrocidades cometidas pelo governo Bush com a população negra de Nova Orleans, após a passagem do furacão Katrina, ainda são uma ferida exposta para o mundo inteiro ver.
BARBARA GANCIA para Folha de São Paulo (07/11/2008)
barbara@uol.com.br
http://www.barbaragancia.com.br/
"E ENTÃO, EU cheguei a Memphis. E alguns começaram a dizer que havia ameaças. O que alguns irmãos brancos doentes poderiam fazer comigo? Bem, eu não sei o que vai acontecer agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas não me importo mais. Porque eu estive no topo da montanha. E eu olhei lá de cima. E eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar até ela com vocês. Mas eu quero que vocês saibam que nós chegaremos à Terra Prometida."
Martin Luther King Jr. proferiu essas palavras em discurso, em Memphis, no Tennessee, no dia 3 de abril de 1968. Menos de 24 horas mais tarde, ele seria assassinado por um "irmão branco doente".
Passados 40 anos, o homem mais respeitado do mundo é o negro Nelson Mandela e o presidente eleito dos Estados Unidos, um negro de nome esquisito (ao menos para os padrões norte-americanos), Barack Hussein Obama.
Nas ruas do Rio, os camelôs já oferecem camisetas com a imagem do novo líder. Nos cartórios da África, da Índia e da Indonésia escrivães já se acostumam a inscrever o nome do presidente eleito em certidões de nascimento. E, na Inglaterra, a comemoração foi dupla por conta da vitória do negro Lewis Hamilton na F-1, esporte dominado por brancos.
O negão está na moda, o negão está no topo do mundo! Em uma América que vem sendo definida como pós-racial, até quem sempre odiou os negros agora minimiza o fator raça. Questionado sobre a cor da pele de Obama, David Duke, o infame ex-membro do Ku Klux Klan, afirmou: "Não vejo muita diferença entre Hillary, McCain e Obama".
A Terra Prometida imaginada por Martin Luther King Jr. está ao alcance da mão. O pastor, ativista e Prêmio Nobel da Paz dizia que as divisões de raça nos EUA só seriam transcendidas no dia em que um negro fosse eleito presidente. Com a vitória do democrata, o negro passou de coadjuvante a protagonista principal do sonho americano.
Barack Obama foi um candidato "daltônico" e conciliador que fez questão de não enxergar a cor do eleitorado. Mas, não fosse a crise econômica, a campanha "ecumênica" de Obama teria sido vitoriosa? Que papel sua negritude terá jogado na eleição? Apoiadora de Hillary e candidata a vice na eleição de 1984, a democrata Geraldine Ferraro fez uma afirmação recalcada sobre o assunto durante as prévias. Disse que, "se Obama fosse um homem branco, ele não estaria nesta posição. E se fosse mulher (de qualquer cor) também não estaria nesta posição". Seja como for, já estava mais do que na hora de os EUA tomarem vergonha na cara sobre a questão racial, que para eles conta com o requinte extra de dividir caucasianos entre "brancos" e "latinos".
A trajetória de Barack Obama rumo à Casa Branca é a concretização de mais uma etapa do sonho de Martin Luther King Jr. Mas daí a achar que ela aposenta a discussão racial nos EUA vai uma légua e meia.
É "wishful thinking", excesso de otimismo, falar em era pós-racial quando a obscena maioria da população carcerária nos EUA é composta por negros. E quando as atrocidades cometidas pelo governo Bush com a população negra de Nova Orleans, após a passagem do furacão Katrina, ainda são uma ferida exposta para o mundo inteiro ver.
BARBARA GANCIA para Folha de São Paulo (07/11/2008)
barbara@uol.com.br
http://www.barbaragancia.com.br/
domingo, 16 de agosto de 2009
Jornalista
“ O jornalismo é o exercício diário de inteligencia e a pratica cotidiana do caráter”
Cláudio Alencar.
Cláudio Alencar.
A Arte de compreender a si mesmo
“Querer o menos possível e conhecer o mais possível”
Arthur Schopenhauer.
Arthur Schopenhauer.
Cristo era um revolucionário?
“ a proximidade de Judas com a seita dos zelotes ( movimento clandestino anti-imperialista dedicado a expulsar os romanos da Plestina, que Eagleton compara ironicamente com a Al-Quaeda), o autor chega a cogitar não sem um certo cinismo: “Talvez Judas tenha vendido Jesus porque esperava que ele fosse um Lênin e ficou amargamente desencantado quando compreendeu que não ia liderar o povo contra o poder colonial romano”.
Eduardo Socha (Revista Cult ano 12 nº 136) // ( sobre o livro “Jesus Cristo – Os evangelhos de Terry Eagleton”)
Eduardo Socha (Revista Cult ano 12 nº 136) // ( sobre o livro “Jesus Cristo – Os evangelhos de Terry Eagleton”)
Concepção de Herói.
“Heróis são mortos ilustres e servem para ser imitados”
Marcia tiburi ( Revista Cult ano 12 – nº 136)
Marcia tiburi ( Revista Cult ano 12 – nº 136)
sábado, 15 de agosto de 2009
A suposta divida entre pais e filhos
As relações pessoais são muitas vezes marcadas pelo tema da divida. Decisivamente, por exemplo, a relação entre pais e filhos.
Os pais dão vida aos filhos e variando de acordo. Os pais dão a vida aos filhos e, variando de acordo com as diversas situações, dão também moradia, alimentação, educação, assistência medica, lazer, etc.
Entretanto, acredito, poucos são os pais que dão tudo isso sem nada esperar receber em troca. A divida pode permear toda uma relação entre pais e filhos, vindo explosivamente à tona no momento em que sua tensão implícita se rompe; quando, por exemplo, o filho não segue os planos que lhe foram traçados pelo pai, ou a filha se desliga dos valores transmitidos pela mãe.
“Ingratos”,é a acusação que ressoa. Mas só há ingratidão quando a divida; é preciso lembrar que esta divida tem a característica curiosa de não ter sido contrariada voluntariamente pelo suposto endividado. Dar engajando o outro, a quem se dá, em uma divida é falso dar.
Dar somente atinge a plenitude de si quando é absolutamente gratuito: dar deve ser sempre dar condições para que o outro cresça, amadureça, se fortaleça por si mesmo.
Francisco Bosco ( Revista Cult ano 12 nº 136).
Os pais dão vida aos filhos e variando de acordo. Os pais dão a vida aos filhos e, variando de acordo com as diversas situações, dão também moradia, alimentação, educação, assistência medica, lazer, etc.
Entretanto, acredito, poucos são os pais que dão tudo isso sem nada esperar receber em troca. A divida pode permear toda uma relação entre pais e filhos, vindo explosivamente à tona no momento em que sua tensão implícita se rompe; quando, por exemplo, o filho não segue os planos que lhe foram traçados pelo pai, ou a filha se desliga dos valores transmitidos pela mãe.
“Ingratos”,é a acusação que ressoa. Mas só há ingratidão quando a divida; é preciso lembrar que esta divida tem a característica curiosa de não ter sido contrariada voluntariamente pelo suposto endividado. Dar engajando o outro, a quem se dá, em uma divida é falso dar.
Dar somente atinge a plenitude de si quando é absolutamente gratuito: dar deve ser sempre dar condições para que o outro cresça, amadureça, se fortaleça por si mesmo.
Francisco Bosco ( Revista Cult ano 12 nº 136).
Livro Livre e Mente em Movimento.
Os livros livres são aqueles que contribuem para o leitor se invista de força suficiente para adquirir sua própria mobilidade; isto é o que se pode chamar verdadeiramente de auto-ajuda , ao passo que o gênero conhecido como auto ajuda é antes o contrario, isto é, uma exoajuda, uma ajuda que, por vir exclusivamente de fora, sem requerer um transformação subjetiva profunda, dificilmente pode ajudar em alguma coisa. E os leitores livres são aqueles que contribuem para restituir a um pensamento sua grande mobilidade, mobilidade que não cessa nunca, enquanto houver leitores livres para, com sua força, pôr pensamentos em movimento.
Francisco Bosco ( Revista Cult ano 12 nº 136).
Francisco Bosco ( Revista Cult ano 12 nº 136).
O Papa e suas escolhas morais
O homem que hoje é o Papa, precisou escolher, 60 anos atrás, entre se aliar à juventude hitlerista ou sofrer algumas conseqüências que lhe pareciam in certas. Ele optou por se juntar a Hitler. Cinco anos arás, ele precisou decidir se abençoava ou não os túmulos dos agentes da SS na França, alguns deles identificados como assassinos de comunidades inteiras. Ele os abençoou. O legado nazista abre um vácuo moral que até mesmo um homem de Deus deve improvisar. As leis não foram gravadas em pedra. E a fé aqui é totalmente confusa.
Norman Lebrecht ( Revista Cult ano 12 nº 136).
Norman Lebrecht ( Revista Cult ano 12 nº 136).
Childhood
“ Childhood is measured out by sounds and smells and sights, before the dark hour of reason grows”.
“A infância é medida pelos sons, aromas e cenas, antes de surgir a hora sombria da razão.”
John Betjeman.
“A infância é medida pelos sons, aromas e cenas, antes de surgir a hora sombria da razão.”
John Betjeman.
Diferent
“Muitas vezes se vive sozinho, quando você é diferente dos outros, é isso que acontece”
Ernest Hemingway – O curioso caso de Benjamin Button.
Ernest Hemingway – O curioso caso de Benjamin Button.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Aqueles dois
Caio Fernando Abreu
Para Rofran Fernandes:
"I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless,
unloosen il.
I say you shall yet find the
friend youwere looking for."
(Walt Whitman: So Long!)
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.
Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.
Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.
II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.
Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.
Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.
Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.
III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.
Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.
Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.
Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.
Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.
IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.
Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.
Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.
V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.
No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.
Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.
Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.
Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.
Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.
Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.
Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.
Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.
Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
O conto acima foi publicado no livro "Morangos Mofados", Editora Brasiliense - São Paulo, 1982. Incluído entre "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 439, de onde foi extraído.
Para Rofran Fernandes:
"I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless,
unloosen il.
I say you shall yet find the
friend youwere looking for."
(Walt Whitman: So Long!)
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.
Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.
Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.
II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.
Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.
Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.
Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.
III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.
Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.
Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.
Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.
Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.
IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.
Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.
Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.
V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.
No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.
Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.
Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.
Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.
Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.
Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.
Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.
Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.
Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
O conto acima foi publicado no livro "Morangos Mofados", Editora Brasiliense - São Paulo, 1982. Incluído entre "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 439, de onde foi extraído.
Aqueles dois
Caio Fernando Abreu
Para Rofran Fernandes:
"I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless,
unloosen il.
I say you shall yet find the
friend youwere looking for."
(Walt Whitman: So Long!)
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.
Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.
Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.
II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.
Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.
Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.
Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.
III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.
Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.
Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.
Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.
Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.
IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.
Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.
Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.
V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.
No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.
Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.
Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.
Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.
Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.
Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.
Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.
Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.
Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
O conto acima foi publicado no livro "Morangos Mofados", Editora Brasiliense - São Paulo, 1982. Incluído entre "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 439, de onde foi extraído.
Para Rofran Fernandes:
"I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless,
unloosen il.
I say you shall yet find the
friend youwere looking for."
(Walt Whitman: So Long!)
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.
Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.
Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.
II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.
Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.
Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.
Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.
III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.
Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.
Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.
Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.
Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.
IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.
Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.
Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.
V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.
No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.
Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.
Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.
Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.
Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.
Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.
Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.
Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.
Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
O conto acima foi publicado no livro "Morangos Mofados", Editora Brasiliense - São Paulo, 1982. Incluído entre "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 439, de onde foi extraído.
domingo, 31 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
100 livros essenciais da literatura brasileira
http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/100-livros-essenciais-398904.shtml
Quais são os 100 livros fundamentais, essenciais, imperdíveis da literatura brasileira? Que romance, poesia, crônica ou conto você não pode deixar de ler na vida? Dom Casmurro, Brás Cubas, Macunaíma, Sargento de Milícias, Grande Sertão Veredas e outras grandes obras do Brasil. A revista Bravo selecionou os 100 melhores livros dos melhores autores do país. Aqueles clássicos que caem no vestibular com 100% de certeza. Um ranking dos livros mais importantes do Brasil. Veja a lista no final do texto.
Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.
Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.
É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.
Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.
O resultado é um guia amplo, ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor dos livros de ontem e hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais da literatura brasileira, listados em ordem alfabética de autor. Leia e divirta-se!
Adélia Prado: Bagagem
Aluísio Azevedo: O Cortiço
Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos
Noite na Taverna
Antonio Callado: Quarup
Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda
Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino
Augusto de Campos: Viva Vaia
Augusto dos Anjos: Eu
Autran Dourado: Ópera dos Mortos
Basílio da Gama: O Uruguai
Bernando Élis: O Tronco
Bernando Guimarães: A Escrava Isaura
Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados
Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo
Claro Enigma
Castro Alves: Os Escravos
Espumas Flutuantes
Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
Mar Absoluto
Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H.
Laços de Família
Cruz e Souza: Broquéis
Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba
Dias Gomes: O Pagador de Promessas
Dyonélio Machado: Os Ratos
Erico Verissimo: O Tempo e o Vento
Euclides da Cunha: Os Sertões
Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?
Fernando Sabino: O Encontro Marcado
Ferreira Gullar: Poema Sujo
Gonçalves Dias: I-Juca Pirama
Graça Aranha: Canaã
Graciliano Ramos: Vidas Secas
São Bernardo
Gregório de Matos: Obra Poética
Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas
Sagarana
Haroldo de Campos: Galáxias
Hilda Hilst: A Obscena Senhora D
Ignágio de Loyola Brandão: Zero
João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço
João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina
João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas
João Gilberto Noll: Harmada
João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos
João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro
Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha
Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela
Terras do Sem Fim
Jorge de Lima: Invenção de Orfeu
José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen
José de Alencar: O Guarani
Lucíola
José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto
José Lins do Rego: Fogo Morto
Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada
Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé
Luiz Vilela: Tremor de Terra
Lygia Fagundes Telles: As Meninas
Seminário dos Ratos
Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Dom Casmurro
Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel Bandeira: Libertinagem
Estrela da Manhã
Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre
Mário de Andrade: Macunaíma;
Paulicéia Desvairada
Mário Faustino: o Homem e Sua Hora
Mário Quintana: Nova Antologia Poética
Marques Rebelo: A Estrela Sobe
Menotti Del Picchia: Juca Mulato
Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo
Murilo Mendes: As Metamorfoses
Murilo Rubião: O Ex-Mágico
Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva
A Vida Como Ela É
Olavo Bilac: Poesias
Osman Lins: Avalovara
Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande
Memórias Sentimentais de João Miramar
Otto Lara Resende: O Braço Direito
Padre Antônio Vieira: Sermões
Paulo Leminski: Catatau
Pedro Nava: Baú de Ossos
Plínio Marcos: Navalha de Carne
Rachel de Queiroz: O Quinze
Raduan Nassar: Lavoura Arcaica
Um Copo de Cólera
Raul Pompéia: O Ateneu
Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas
Rubem Fonseca: A Coleira do Cão
Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson
Stanislaw Ponte Preta: Febeapá
Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
Cartas Chilenas
Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética
Visconde de Taunay: Inocência
Quais são os 100 livros fundamentais, essenciais, imperdíveis da literatura brasileira? Que romance, poesia, crônica ou conto você não pode deixar de ler na vida? Dom Casmurro, Brás Cubas, Macunaíma, Sargento de Milícias, Grande Sertão Veredas e outras grandes obras do Brasil. A revista Bravo selecionou os 100 melhores livros dos melhores autores do país. Aqueles clássicos que caem no vestibular com 100% de certeza. Um ranking dos livros mais importantes do Brasil. Veja a lista no final do texto.
Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.
Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.
É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.
Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.
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Noite na Taverna
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Lucíola
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Dom Casmurro
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Manuel Bandeira: Libertinagem
Estrela da Manhã
Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre
Mário de Andrade: Macunaíma;
Paulicéia Desvairada
Mário Faustino: o Homem e Sua Hora
Mário Quintana: Nova Antologia Poética
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Murilo Mendes: As Metamorfoses
Murilo Rubião: O Ex-Mágico
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Rachel de Queiroz: O Quinze
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Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas
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Stanislaw Ponte Preta: Febeapá
Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
Cartas Chilenas
Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética
Visconde de Taunay: Inocência
domingo, 24 de maio de 2009
A grande lista dos livros
achei interessante
fonte: http://djoh.wordpress.com/2008/03/16/a-grande-lista-dos-livros-que-o-jorge-ainda-quer/
À meia luz – cinema e sexualidade nos anos 70 – Paulo Menezes – Editora 34 (R$ 28,50 na Arte Pau Brasil)
Alhos e safiras: a vida secreta de uma crítica de gastronomia – Ruth Reichl – Ed. Objetiva (R$ 36,58 na Cia dos Livros)
Amor, poesia, sabedoria – Edgar Morin – Bertrand Brasil (R$ 16,10 na FNAC)
O anti-semitismo na Era Vargas: fantasmas de uma geração (1930 – 1945) – Maria Luiza Tucci Carneiro – Ed. Perspectiva (R$ 51,35 na Cia dos Livros)
Antologia – Adília Lopes – CosacNaify / 7Letras (R$ 28 no Submarino)
Atrás das linhas inimigas do meu amor – Leonard Cohen – 7Letras (R$ 33 na Saraiva)
Balzac e a costureirinha chinesa – Dai Sijie – Alfaguara Objetiva (R$ 20,30 na FNAC)
Bastidores de Hollywood: a influência exercida por gays e lésbicas no cinema 1940-1969 – William J. Mann (R$ 40,80 na Livraria Melhoramentos)
“Beat” Takeshi Kitano – Takeshi Kitano – Tadao Press (US$ 25,74 na Amazon)
Beat Takeshi vs Takeshi Kitano – Casio Abe, Saisuke Miyao e Takeshi Kitano – Muae Publishing (US$ 19,86 na Amazon)
As benevolentes – Jonathan Littell – Alfaguara Objetiva (R$ 55,90 na FNAC)
A bomba informática – Paul Virilio – Estação Liberdade (R$ 28,40 na Livraria Galileu)
Born to be gay: história da homossexualidade – William Naphy – Edições 70 (R$ 81 no Submarino)
Boy – Takeshi Kitano – Vertical (US$ 13,46 na Amazon)
O Brasil na moda – Paulo Borges, Giovanni Bianco, João Carrascosa – Caras (R$ 99 na FNAC)
Caçando carneiros – Haruki Murakami – Estação Liberdade (R$ 36 na Cia dos Livros)
Caminhos da China – John Pomfret – Ed. Landscape (R$ 35,92 na Laselva)
Cassandra – Christa Wolf – Estação Liberdade (R$ 34,40 na Cia dos Livros)
As cidades invisíveis – Ítalo Calvino – Cia das Letras (R$ 25,60 na Livraria Melhoramentos)
O cinema americano dos anos 30 – Oliver Rene Veillon – Ed. Martins Fontes (R$ 31,05 na Arte Pau Brasil)
O cinema americano dos anos 50 – Oliver Rene Veillon – Ed. Martins Fontes (R$ 28,98 na Maremoto)
O cinema segundo François Truffaut – François Truffaut – Ed. Nova Fronteira (R$ 40,18 na Livraria Melhoramentos)
Clarice Lispector com a ponta dos dedos – Vilma Areas – Cia das Letras (R$ 26,90 na FNAC)
Cleópatra: histórias, sonhos e distorções – Lucy Hughes-Hallett – Ed. Record (R$ 42,70 na FNAC)
Cobras e lagartos – Josmar Jozino – Ed. Objetiva (R$ 35,92 no Submarino)
Cock & Bull: histórias para boi dormir – Will Self – Geração Editorial (R$ 9,90 na Saraiva)
Como vivem os mortos – Will Self – Alfaguara Objetiva (R$ 37,36 na Cia dos Livros)
Como viver junto – Roland Barthes – Ed. Martins Fontes (R$ 37,50 na FNAC)
Conclave – Roberto Pazzi – Alfaguara Objetiva (R$ 31,12 na Cia dos Livros)
Correio do tempo – Mario Benedetti – Alfaguara Objetiva (R$ 20,80 na Saraiva)
O crisântemo e a espada: padrões da cultura japonesa – Ruth Benedict – Ed. Perspectiva (R$ 18,35 na Cia dos Livros)
De Berlim a Jerusalém: recordações da juventude – Gershom Sholem – Ed. Perspectiva (R$ 20,80 na Livraria Martins Fontes)
O desafio do Islã e outros desafios – Roberto Romano – Ed. Perspectiva (R$ 36,34 na Cia dos Livros)
Os deuses da Grécia – Walter Friedrich Otto – Ed. Odysseus (R$ 25,44 na Cia dos Livros)
Diabo guardião – Xavier Velasco – Alfaguara Objetiva (R$ 41,90 na FNAC)
Ditos e escritos, volume V: ética, sexualidade, política – Michel Foucault – Ed. Forense Universitária (R$ 59,25 na Cia dos Livros)
Do amor – Stendhal - L&PM (R$ 12,60 na FNAC)
Doença como metáfora; AIDS e suas metáforas – Susan Sontag – Cia das Letras (R$ 12,90 na FNAC)
Dom Sebastião no Brasil: fatos da cultura e da comunicação em tempo-espaço – Marcio Onório de Godoy – Ed. Perspectiva (R$ 19,75 na Cia dos Livros)
Dorival Caymmi: o mar e o tempo – Stella Caymmi – Ed. 34 (R$ 61,50 na Cia dos Livros)
As egípcias: retratos de mulheres do Egito – Christian Jacq – Ed. Bertrand Brasil (R$ 34,30 na FNAC)
Egito dos Faraós – Airton Ortiz – Ed. Record (R$ 28,44 na Cia dos Livros)
Em busca do Egito esquecido – Jea Vercoutter – Ed. Objetiva (R$ 28,08 na Cia dos Livros)
Enciclopédia do Cinema Brasileiro – Ramos, Miranda – Senac SP (R$ 96,75 na Academia do Livro)
A Era Chanel – Edmonde Charles-Roux – CosacNaify (R$ 89,40 na Cia dos Livros)
Erec e Enide – Manuel Vazquez Montalban – Alfaguara Objetiva (R$ 25,10 na FNAC)
A estrada – Cormac McCarthy – Alfaguara Objetiva (R$ 23,10 na Cia dos Livros)
As estrelas – mito e sedução no cinema – Edgar Morin – Ed. José Olympio (R$ 15,20 na Academia do Livro)
Eu e tu – Martin Buber – Ed. Centauro (R$ 31,60 na Cia dos Livros)
Eu; Fellini – Charlote Chandler – Ed. Record (R$ 54,90 na Saraiva)
Eu não sou cachorro, não – Paulo César de Araújo – Ed. Record / RCB (R$ 38,18 na Arte Pau Brasil)
Eu te darei o céu e outras promessas dos anos 60 – Ivana Arruda Leite – Ed. 34 (R$ 20,50 na Melhoramentos)
Fashion cultures: theories, explorations and analysis – Stella Bruzzi e Pamela Church Gibson – Routledge (US$ 34,40 na Amazon)
Fashion-ology: and introduction to fashion studies – Yuniya Kawamura – Berg Publishers (US$ 24,95 na Amazon)
Fazer um filme – Federico Fellini – Civilização Brasileira (R$ 32,39 na Cia dos Livros)
Fetiche – Valerie Steele – Ed. Rocco (R$ 45,03 na Cia dos Livros)
Filho da revolução: minha infância na Cuba de Fidel Castro – Luis Manuel Garcia – Ed. Landscape (R$ 27,22 na Cia dos Livros)
François Truffaut: uma biografia – Serge Toubiana e Antoine de Baecque – Ed. Record (R$ 62,41 na Cia dos Livros)
Frescos trópicos: fontes sobre homossexualidade masculina no Brasil – James N. Green e Ronald Polito – Ed. José Olympio (R$ 18,90 na FNAC)
Gente de cinema: Woody Allen – Neusa Barbosa – Ed. Papagaio (R$ 24 na Cia dos Livros)
Os grandes símios – Will Self – Alfaguara Objetiva (R$ 46,72 na Cia dos Livros)
Granta em português: os melhores jovens escritores norte-americanos – vários – Alfaguara Objetiva (R$ 31,10 na Cia dos Livros)
Gueixa – Liza Dalby – Ed. Objetiva (R$ 32,80 na FNAC)
História da alimentação – Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari – Estação Liberdade (R$ 110 no Submarino)
A história da alimentação no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 78,90 na Saraiva)
História da Grécia 1: Antiguidade Clássica – Mario Giordani – Ed. Vozes (R$ 57,10 na FNAC)
História da loucura – Michel Foucault – Ed. Perspectiva (R$ 29,90 na Cia dos Livros)
A história de nossos gestos – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 36,57 na Cia dos Livros)
A história maravilhosa dos Maias – Affonso Varzea – Ed. Nacional (R$ 22,90 na Saraiva)
História sexual da MPB – Rodrigo Faour – Ed. Record (R$ 49,40 na FNAC)
Hitchcock por Hitchcock – Sydnei Gottlieb – Ed. Imago (R$ 53,38 na Cia dos Livros)
Hollywood 1936 – Blaise Cendrars – Ed. Brasiliense (R$ 19,33 na Cia dos Livros)
Holocausto: uma história – Debórah Dwork e Robert Jan van Pelt – Ed. Imago (R$ 58,22 na Livraria Melhoramentos)
A homossexualidade na Grécia Antiga – Kenneth J. Dover – Ed. Nova Alexandria (R$ 45,50 na FNAC)
Homossexualidade: uma história – Collin Spencer – Ed. Record (R$ 61 na FNAC)
Howard Hughes em Hollywood – Tony Thomas – Ed. Frente (R$ 24,19 na Livraria Melhoramentos)
Ilusões perdidas – Balzac – Cia das Letras (R$ 18,17 na Cia dos Livros)
Os Incas 1: a princesa do sol – Antoine B. Daniel – Ed. Objetiva (R$ 31,40 na FNAC)
Os Incas 2: o ouro de Cuzco – Antoine B. Daniel – Ed. Objetiva (R$ 32,10 na FNAC)
Incidentes – Roland Barthes – Ed. Martins Fontes (R$ 23,63 na Arte Pau Brasil)
The japanese revolution in Paris fashion – Yuniya Kawamura – Berg Publishers (US$ 29,95 na Amazon)
Jesus – Juanribe Pagliarin – Ed. Landscape (R$ 18,72 na Cia dos Livros)
Jules e Jim: o roteiro, o romance – Henri-Pierre Roche e François Truffaut – Ed. Jorge Zahar (R$ 36,19 na Artepaubrasil)
Kafka à beira mar – Haruki Murakami – Alfaguara Objetiva (R$ 43,90 na FNAC)
O livro dos seres imaginários – Jorge Luis Borges – Ed. Globo (R$ 22,80 na Cia dos Livros)
Lógica do sentido – Gilles Deleuze – Ed. Perspectiva (R$ 24,15 na Cia dos Livros)
Manicômios, prisões e conventos – Erving Goffman – Ed. Perspectiva (R$ 26,66 na BestBooks)
Marilyn: as últimas sessões – Michel Schneider – Alfaguara Objetiva (R$ 42,90 na Saraiva)
Mario Reis – o fino do samba – Luis Antonio Giron – Ed. 34 (R$ 30,34 na Melhoramentos)
Medeamaterial e outros textos – Heiner Muller – Ed. Paz e Terra (R$ 26,86 na Cia dos Livros)
Mefistófoles e o andrógino – Mircea Eliade – Ed. Martins Fontes (R$ 30,29 na Cia dos Livros)
Minha idéia de diversão: um romance profilático – Will Self – Geração Editorial (R$ 25,50 na Artepaubrasil)
O mito – K. K. Ruthven – Ed. Perspectiva (R$ 20,54 na Cia dos Livros)
Mito e realidade – Mircea Eliade – Ed. Perspectiva (R$ 19 na Cia dos Livros)
Mitologias – Roland Barthes – Bertrand do Brasil (R$ 25,20 na Arte Pau Brasil)
A moda como ela é – Márcia Disitzer e Silvia Vieira – Senac RJ (R$ 36,30 na FNAC)
Moda contemporânea: quatro ou cinco conexões possíveis – Cristiane Mesquita – Anhembi Morumbi (R$ 15,40 na FNAC)
A morte da tragédia – George Steiner – Ed. Perspectiva (R$ 35,55 na Cia dos Livros)
Mouros, franceses e judeus: três presenças no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Perspectiva (R$ 15,80 na Cia dos Livros)
Mundo, homem, arte em crise – Mario Pedrosa – Ed. Perspectiva (R$ 20 na Saraiva)
Música para camaleões – Truman Capote – Cia das Letras (R$ 36,19 na Artepaubrasil)
Nefertite: amor, poder e traição no Antigo Egito – Jacqueline Dauxois – Geração Editorial (R$ 29, 93 na Artepaubrasil)
Nenhuma paixão desperdiçada – George Steiner – Ed. Record (R$ 38,71 na Cia dos Livros)
Ninguém é perfeito: Billy Wilder, uma biografia pessoal – Charlotte Chandler – Ed. Landscape (R$ 9,90 na Cia dos Livros)
O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade – Daniel Helminiak – Ed. GLS (R$ 23,07 na Cia dos Livros)
Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu – Ed. AGIR (R$ 27,93 na Academia do Livro)
A outra face de Hollywood: filme B – A. C. Gomes de Mattos – Ed. Rocco (R$ 22,12 na Cia dos Livros)
Panamérica – José Agrippino de Paula – Ed. Papagaio (R$ 20 na Cia dos Livros)
Para compreender o Islã – Frithjof Schuon – Ed. Best Seller (R$ 23,62 na Cia dos Livros)
Para uma crítica do presente – Irene Cardoso – Ed. 34 (R$ 28,50 na Arte Pau Brasil)
Paris Fashion: a cultural history – Valerie Steele – Berg Publishers (US$ 22,85, usado, na Amazon)
Pessach: a travessia – Carlos Heitor Cony – Cia das Letras (R$ 16 na Livraria Martins Fontes)
Os piratas mais perversos da história – Shelley Klein – Ed. Planeta (R$ 27,90 na FNAC)
Popul Vuh: o livro das criações dos Maias - Luiz Galdino – Ed. Cortez (R$ 20,41 na Cia dos Livros)
O prazer dos olhos: textos sobre o cinema – François Truffaut – Ed. Jorge Zahar (R$ 33,88 na Artepaubrasil)
Primeiro amor – Samuel Beckett – CosacNaify (R$ 22,40 na FNAC)
Produção estética: notas sobre roupas, sujeitos e modos de vida - Rosane Preciosa – Anhembi Morumbi (R$ 16,60 na Cia dos Livros)
Quant by Quant – Mary Quant – Ballantine Mod Books (US$ 54,73, usado, na Amazon)
Quarteto – Manuel Vazquez Montalban – Ed. Objetiva (R$ 18,10 na FNAC)
Questão de ênfase – Susan Sontag – Cia das Letras (R$ 39,90 na FNAC)
As religiões do Antigo Egito: deuses, mitos e rituais domésticos – Byron E. Shafer (R$ 35,02 na Cia dos Livros)
Retórica das paixões – Aristóteles – Ed. Martins Fontes (R$ 20,50 na FNAC)
Rilke Shake – Angélica Freitas – CosacNaify / 7Letras (R$ 18,20 na FNAC)
Rosario Tijeras – Jorge Franco – Alfaguara Objetiva (R$ 20,20 na FNAC)
A roupa e a moda – uma história concisa – James Laver – Cia das Letras (R$ 46,90 na FNAC)
A saga dos cristãos novos – Joseph Eskenazi Pernidji – Ed. Imago (R$ 32,97 na Cia dos Livros)
Sentido das raças – Frithjof Schuon – Ed. Ibrasa (R$ 20,50 na Cia dos Livros)
Sobre comunidade – Martin Buber – Ed. Perspectiva (R$ 20 na Livraria Cultura)
A sucessão no Vaticano: os bastidores da morte de João Paulo II e a eleição de Bento XVI – Wellington Miareli Mesquita – Ed. Landscape (R$ 18,72 na Cia dos Livros)
Superstição no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 49,29 na Cia dos Livros)
Teatro completo – Qorpo Santo – Ed. Iluminuras (R$ 41,87 na Cia dos Livros)
Trata-me Leão – Hamilton Vaz Pereira – Ed. Objetiva (R$ 25,80 na FNAC)
Travessia de verão – Truman Capote – Alfaguara Objetiva (R$ 22,30 na FNAC)
O tupi e o alaúde – uma interpretação de Macunaíma – Gilda de Mello e Souza – Ed. 34 (R$ 18,04 na Melhoramentos)
Tutancâmon – Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald – Ed. Landscape (R$ 38,22 na Cia dos Livros)
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres – Clarice Lispector – Ed. Rocco (R$ 20 na Livraria Galileu)
Unissexo: a dessexualização na vida americana – Charles E. Winick – Ed. Perspectiva (R$ 17,38 na Cia dos Livros)
O veneno da serpente – Maria Luiza Tucci Carneiro – Ed. Perspectiva (R$ 19,75 na Cia dos Livros)
A verdade sobre os Incas – Roselis Von Sass – Ed. Ordem do Graal na Terra (R$ 29 na Livraria Cultura)
Vestindo os nus: o figurino em cena – Rosane Muniz – Senac RJ (R$ 34,30 na FNAC)
Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos – Guillaume Erner – Senac SP (R$ 29,40 na FNAC)
Vivienne Westwood – Claire Wilcox – Harry n Abrams (R$ 87,50 na Livraria Cultura)
Vivienne Westwood Biography – Jane Mulvagh – HarperCollins UK (R$ 112,14 na Livraria Cultura)
X da Questão: o sujeito à flor da pele – Edgar Morin – ArtMed (R$ 33,18 na Cia dos Livros)
fonte: http://djoh.wordpress.com/2008/03/16/a-grande-lista-dos-livros-que-o-jorge-ainda-quer/
À meia luz – cinema e sexualidade nos anos 70 – Paulo Menezes – Editora 34 (R$ 28,50 na Arte Pau Brasil)
Alhos e safiras: a vida secreta de uma crítica de gastronomia – Ruth Reichl – Ed. Objetiva (R$ 36,58 na Cia dos Livros)
Amor, poesia, sabedoria – Edgar Morin – Bertrand Brasil (R$ 16,10 na FNAC)
O anti-semitismo na Era Vargas: fantasmas de uma geração (1930 – 1945) – Maria Luiza Tucci Carneiro – Ed. Perspectiva (R$ 51,35 na Cia dos Livros)
Antologia – Adília Lopes – CosacNaify / 7Letras (R$ 28 no Submarino)
Atrás das linhas inimigas do meu amor – Leonard Cohen – 7Letras (R$ 33 na Saraiva)
Balzac e a costureirinha chinesa – Dai Sijie – Alfaguara Objetiva (R$ 20,30 na FNAC)
Bastidores de Hollywood: a influência exercida por gays e lésbicas no cinema 1940-1969 – William J. Mann (R$ 40,80 na Livraria Melhoramentos)
“Beat” Takeshi Kitano – Takeshi Kitano – Tadao Press (US$ 25,74 na Amazon)
Beat Takeshi vs Takeshi Kitano – Casio Abe, Saisuke Miyao e Takeshi Kitano – Muae Publishing (US$ 19,86 na Amazon)
As benevolentes – Jonathan Littell – Alfaguara Objetiva (R$ 55,90 na FNAC)
A bomba informática – Paul Virilio – Estação Liberdade (R$ 28,40 na Livraria Galileu)
Born to be gay: história da homossexualidade – William Naphy – Edições 70 (R$ 81 no Submarino)
Boy – Takeshi Kitano – Vertical (US$ 13,46 na Amazon)
O Brasil na moda – Paulo Borges, Giovanni Bianco, João Carrascosa – Caras (R$ 99 na FNAC)
Caçando carneiros – Haruki Murakami – Estação Liberdade (R$ 36 na Cia dos Livros)
Caminhos da China – John Pomfret – Ed. Landscape (R$ 35,92 na Laselva)
Cassandra – Christa Wolf – Estação Liberdade (R$ 34,40 na Cia dos Livros)
As cidades invisíveis – Ítalo Calvino – Cia das Letras (R$ 25,60 na Livraria Melhoramentos)
O cinema americano dos anos 30 – Oliver Rene Veillon – Ed. Martins Fontes (R$ 31,05 na Arte Pau Brasil)
O cinema americano dos anos 50 – Oliver Rene Veillon – Ed. Martins Fontes (R$ 28,98 na Maremoto)
O cinema segundo François Truffaut – François Truffaut – Ed. Nova Fronteira (R$ 40,18 na Livraria Melhoramentos)
Clarice Lispector com a ponta dos dedos – Vilma Areas – Cia das Letras (R$ 26,90 na FNAC)
Cleópatra: histórias, sonhos e distorções – Lucy Hughes-Hallett – Ed. Record (R$ 42,70 na FNAC)
Cobras e lagartos – Josmar Jozino – Ed. Objetiva (R$ 35,92 no Submarino)
Cock & Bull: histórias para boi dormir – Will Self – Geração Editorial (R$ 9,90 na Saraiva)
Como vivem os mortos – Will Self – Alfaguara Objetiva (R$ 37,36 na Cia dos Livros)
Como viver junto – Roland Barthes – Ed. Martins Fontes (R$ 37,50 na FNAC)
Conclave – Roberto Pazzi – Alfaguara Objetiva (R$ 31,12 na Cia dos Livros)
Correio do tempo – Mario Benedetti – Alfaguara Objetiva (R$ 20,80 na Saraiva)
O crisântemo e a espada: padrões da cultura japonesa – Ruth Benedict – Ed. Perspectiva (R$ 18,35 na Cia dos Livros)
De Berlim a Jerusalém: recordações da juventude – Gershom Sholem – Ed. Perspectiva (R$ 20,80 na Livraria Martins Fontes)
O desafio do Islã e outros desafios – Roberto Romano – Ed. Perspectiva (R$ 36,34 na Cia dos Livros)
Os deuses da Grécia – Walter Friedrich Otto – Ed. Odysseus (R$ 25,44 na Cia dos Livros)
Diabo guardião – Xavier Velasco – Alfaguara Objetiva (R$ 41,90 na FNAC)
Ditos e escritos, volume V: ética, sexualidade, política – Michel Foucault – Ed. Forense Universitária (R$ 59,25 na Cia dos Livros)
Do amor – Stendhal - L&PM (R$ 12,60 na FNAC)
Doença como metáfora; AIDS e suas metáforas – Susan Sontag – Cia das Letras (R$ 12,90 na FNAC)
Dom Sebastião no Brasil: fatos da cultura e da comunicação em tempo-espaço – Marcio Onório de Godoy – Ed. Perspectiva (R$ 19,75 na Cia dos Livros)
Dorival Caymmi: o mar e o tempo – Stella Caymmi – Ed. 34 (R$ 61,50 na Cia dos Livros)
As egípcias: retratos de mulheres do Egito – Christian Jacq – Ed. Bertrand Brasil (R$ 34,30 na FNAC)
Egito dos Faraós – Airton Ortiz – Ed. Record (R$ 28,44 na Cia dos Livros)
Em busca do Egito esquecido – Jea Vercoutter – Ed. Objetiva (R$ 28,08 na Cia dos Livros)
Enciclopédia do Cinema Brasileiro – Ramos, Miranda – Senac SP (R$ 96,75 na Academia do Livro)
A Era Chanel – Edmonde Charles-Roux – CosacNaify (R$ 89,40 na Cia dos Livros)
Erec e Enide – Manuel Vazquez Montalban – Alfaguara Objetiva (R$ 25,10 na FNAC)
A estrada – Cormac McCarthy – Alfaguara Objetiva (R$ 23,10 na Cia dos Livros)
As estrelas – mito e sedução no cinema – Edgar Morin – Ed. José Olympio (R$ 15,20 na Academia do Livro)
Eu e tu – Martin Buber – Ed. Centauro (R$ 31,60 na Cia dos Livros)
Eu; Fellini – Charlote Chandler – Ed. Record (R$ 54,90 na Saraiva)
Eu não sou cachorro, não – Paulo César de Araújo – Ed. Record / RCB (R$ 38,18 na Arte Pau Brasil)
Eu te darei o céu e outras promessas dos anos 60 – Ivana Arruda Leite – Ed. 34 (R$ 20,50 na Melhoramentos)
Fashion cultures: theories, explorations and analysis – Stella Bruzzi e Pamela Church Gibson – Routledge (US$ 34,40 na Amazon)
Fashion-ology: and introduction to fashion studies – Yuniya Kawamura – Berg Publishers (US$ 24,95 na Amazon)
Fazer um filme – Federico Fellini – Civilização Brasileira (R$ 32,39 na Cia dos Livros)
Fetiche – Valerie Steele – Ed. Rocco (R$ 45,03 na Cia dos Livros)
Filho da revolução: minha infância na Cuba de Fidel Castro – Luis Manuel Garcia – Ed. Landscape (R$ 27,22 na Cia dos Livros)
François Truffaut: uma biografia – Serge Toubiana e Antoine de Baecque – Ed. Record (R$ 62,41 na Cia dos Livros)
Frescos trópicos: fontes sobre homossexualidade masculina no Brasil – James N. Green e Ronald Polito – Ed. José Olympio (R$ 18,90 na FNAC)
Gente de cinema: Woody Allen – Neusa Barbosa – Ed. Papagaio (R$ 24 na Cia dos Livros)
Os grandes símios – Will Self – Alfaguara Objetiva (R$ 46,72 na Cia dos Livros)
Granta em português: os melhores jovens escritores norte-americanos – vários – Alfaguara Objetiva (R$ 31,10 na Cia dos Livros)
Gueixa – Liza Dalby – Ed. Objetiva (R$ 32,80 na FNAC)
História da alimentação – Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari – Estação Liberdade (R$ 110 no Submarino)
A história da alimentação no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 78,90 na Saraiva)
História da Grécia 1: Antiguidade Clássica – Mario Giordani – Ed. Vozes (R$ 57,10 na FNAC)
História da loucura – Michel Foucault – Ed. Perspectiva (R$ 29,90 na Cia dos Livros)
A história de nossos gestos – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 36,57 na Cia dos Livros)
A história maravilhosa dos Maias – Affonso Varzea – Ed. Nacional (R$ 22,90 na Saraiva)
História sexual da MPB – Rodrigo Faour – Ed. Record (R$ 49,40 na FNAC)
Hitchcock por Hitchcock – Sydnei Gottlieb – Ed. Imago (R$ 53,38 na Cia dos Livros)
Hollywood 1936 – Blaise Cendrars – Ed. Brasiliense (R$ 19,33 na Cia dos Livros)
Holocausto: uma história – Debórah Dwork e Robert Jan van Pelt – Ed. Imago (R$ 58,22 na Livraria Melhoramentos)
A homossexualidade na Grécia Antiga – Kenneth J. Dover – Ed. Nova Alexandria (R$ 45,50 na FNAC)
Homossexualidade: uma história – Collin Spencer – Ed. Record (R$ 61 na FNAC)
Howard Hughes em Hollywood – Tony Thomas – Ed. Frente (R$ 24,19 na Livraria Melhoramentos)
Ilusões perdidas – Balzac – Cia das Letras (R$ 18,17 na Cia dos Livros)
Os Incas 1: a princesa do sol – Antoine B. Daniel – Ed. Objetiva (R$ 31,40 na FNAC)
Os Incas 2: o ouro de Cuzco – Antoine B. Daniel – Ed. Objetiva (R$ 32,10 na FNAC)
Incidentes – Roland Barthes – Ed. Martins Fontes (R$ 23,63 na Arte Pau Brasil)
The japanese revolution in Paris fashion – Yuniya Kawamura – Berg Publishers (US$ 29,95 na Amazon)
Jesus – Juanribe Pagliarin – Ed. Landscape (R$ 18,72 na Cia dos Livros)
Jules e Jim: o roteiro, o romance – Henri-Pierre Roche e François Truffaut – Ed. Jorge Zahar (R$ 36,19 na Artepaubrasil)
Kafka à beira mar – Haruki Murakami – Alfaguara Objetiva (R$ 43,90 na FNAC)
O livro dos seres imaginários – Jorge Luis Borges – Ed. Globo (R$ 22,80 na Cia dos Livros)
Lógica do sentido – Gilles Deleuze – Ed. Perspectiva (R$ 24,15 na Cia dos Livros)
Manicômios, prisões e conventos – Erving Goffman – Ed. Perspectiva (R$ 26,66 na BestBooks)
Marilyn: as últimas sessões – Michel Schneider – Alfaguara Objetiva (R$ 42,90 na Saraiva)
Mario Reis – o fino do samba – Luis Antonio Giron – Ed. 34 (R$ 30,34 na Melhoramentos)
Medeamaterial e outros textos – Heiner Muller – Ed. Paz e Terra (R$ 26,86 na Cia dos Livros)
Mefistófoles e o andrógino – Mircea Eliade – Ed. Martins Fontes (R$ 30,29 na Cia dos Livros)
Minha idéia de diversão: um romance profilático – Will Self – Geração Editorial (R$ 25,50 na Artepaubrasil)
O mito – K. K. Ruthven – Ed. Perspectiva (R$ 20,54 na Cia dos Livros)
Mito e realidade – Mircea Eliade – Ed. Perspectiva (R$ 19 na Cia dos Livros)
Mitologias – Roland Barthes – Bertrand do Brasil (R$ 25,20 na Arte Pau Brasil)
A moda como ela é – Márcia Disitzer e Silvia Vieira – Senac RJ (R$ 36,30 na FNAC)
Moda contemporânea: quatro ou cinco conexões possíveis – Cristiane Mesquita – Anhembi Morumbi (R$ 15,40 na FNAC)
A morte da tragédia – George Steiner – Ed. Perspectiva (R$ 35,55 na Cia dos Livros)
Mouros, franceses e judeus: três presenças no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Perspectiva (R$ 15,80 na Cia dos Livros)
Mundo, homem, arte em crise – Mario Pedrosa – Ed. Perspectiva (R$ 20 na Saraiva)
Música para camaleões – Truman Capote – Cia das Letras (R$ 36,19 na Artepaubrasil)
Nefertite: amor, poder e traição no Antigo Egito – Jacqueline Dauxois – Geração Editorial (R$ 29, 93 na Artepaubrasil)
Nenhuma paixão desperdiçada – George Steiner – Ed. Record (R$ 38,71 na Cia dos Livros)
Ninguém é perfeito: Billy Wilder, uma biografia pessoal – Charlotte Chandler – Ed. Landscape (R$ 9,90 na Cia dos Livros)
O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade – Daniel Helminiak – Ed. GLS (R$ 23,07 na Cia dos Livros)
Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu – Ed. AGIR (R$ 27,93 na Academia do Livro)
A outra face de Hollywood: filme B – A. C. Gomes de Mattos – Ed. Rocco (R$ 22,12 na Cia dos Livros)
Panamérica – José Agrippino de Paula – Ed. Papagaio (R$ 20 na Cia dos Livros)
Para compreender o Islã – Frithjof Schuon – Ed. Best Seller (R$ 23,62 na Cia dos Livros)
Para uma crítica do presente – Irene Cardoso – Ed. 34 (R$ 28,50 na Arte Pau Brasil)
Paris Fashion: a cultural history – Valerie Steele – Berg Publishers (US$ 22,85, usado, na Amazon)
Pessach: a travessia – Carlos Heitor Cony – Cia das Letras (R$ 16 na Livraria Martins Fontes)
Os piratas mais perversos da história – Shelley Klein – Ed. Planeta (R$ 27,90 na FNAC)
Popul Vuh: o livro das criações dos Maias - Luiz Galdino – Ed. Cortez (R$ 20,41 na Cia dos Livros)
O prazer dos olhos: textos sobre o cinema – François Truffaut – Ed. Jorge Zahar (R$ 33,88 na Artepaubrasil)
Primeiro amor – Samuel Beckett – CosacNaify (R$ 22,40 na FNAC)
Produção estética: notas sobre roupas, sujeitos e modos de vida - Rosane Preciosa – Anhembi Morumbi (R$ 16,60 na Cia dos Livros)
Quant by Quant – Mary Quant – Ballantine Mod Books (US$ 54,73, usado, na Amazon)
Quarteto – Manuel Vazquez Montalban – Ed. Objetiva (R$ 18,10 na FNAC)
Questão de ênfase – Susan Sontag – Cia das Letras (R$ 39,90 na FNAC)
As religiões do Antigo Egito: deuses, mitos e rituais domésticos – Byron E. Shafer (R$ 35,02 na Cia dos Livros)
Retórica das paixões – Aristóteles – Ed. Martins Fontes (R$ 20,50 na FNAC)
Rilke Shake – Angélica Freitas – CosacNaify / 7Letras (R$ 18,20 na FNAC)
Rosario Tijeras – Jorge Franco – Alfaguara Objetiva (R$ 20,20 na FNAC)
A roupa e a moda – uma história concisa – James Laver – Cia das Letras (R$ 46,90 na FNAC)
A saga dos cristãos novos – Joseph Eskenazi Pernidji – Ed. Imago (R$ 32,97 na Cia dos Livros)
Sentido das raças – Frithjof Schuon – Ed. Ibrasa (R$ 20,50 na Cia dos Livros)
Sobre comunidade – Martin Buber – Ed. Perspectiva (R$ 20 na Livraria Cultura)
A sucessão no Vaticano: os bastidores da morte de João Paulo II e a eleição de Bento XVI – Wellington Miareli Mesquita – Ed. Landscape (R$ 18,72 na Cia dos Livros)
Superstição no Brasil – Luis da Câmara Cascudo – Ed. Global (R$ 49,29 na Cia dos Livros)
Teatro completo – Qorpo Santo – Ed. Iluminuras (R$ 41,87 na Cia dos Livros)
Trata-me Leão – Hamilton Vaz Pereira – Ed. Objetiva (R$ 25,80 na FNAC)
Travessia de verão – Truman Capote – Alfaguara Objetiva (R$ 22,30 na FNAC)
O tupi e o alaúde – uma interpretação de Macunaíma – Gilda de Mello e Souza – Ed. 34 (R$ 18,04 na Melhoramentos)
Tutancâmon – Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald – Ed. Landscape (R$ 38,22 na Cia dos Livros)
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres – Clarice Lispector – Ed. Rocco (R$ 20 na Livraria Galileu)
Unissexo: a dessexualização na vida americana – Charles E. Winick – Ed. Perspectiva (R$ 17,38 na Cia dos Livros)
O veneno da serpente – Maria Luiza Tucci Carneiro – Ed. Perspectiva (R$ 19,75 na Cia dos Livros)
A verdade sobre os Incas – Roselis Von Sass – Ed. Ordem do Graal na Terra (R$ 29 na Livraria Cultura)
Vestindo os nus: o figurino em cena – Rosane Muniz – Senac RJ (R$ 34,30 na FNAC)
Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos – Guillaume Erner – Senac SP (R$ 29,40 na FNAC)
Vivienne Westwood – Claire Wilcox – Harry n Abrams (R$ 87,50 na Livraria Cultura)
Vivienne Westwood Biography – Jane Mulvagh – HarperCollins UK (R$ 112,14 na Livraria Cultura)
X da Questão: o sujeito à flor da pele – Edgar Morin – ArtMed (R$ 33,18 na Cia dos Livros)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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